“Técnico bom…

é aquele que não atrapalha”. A definição de Romário é toda venenosa, mas não deixa de ser verdadeira. Em Copas do Mundo, às vezes a melhor coisa que um técnico pode fazer é largar a prancheta, sentar no banquinho e ficar só olhando, sem dar muito pitaco.

O holandês Rinus Michels foi um que tentou revolucionar tudo. Apoiado em seu vasto currículo de tetra campeão holandês, tri campeão da Copa da Holanda, campeão europeu (títulos conquistados com o Ajax) e campeão espanhol (pelo Barcelona), Michels chegou à seleção do seu país botando banca. Em pleno ano de Copa do Mundo, inventou que ia fazer o time jogar um tal de “futebol total”, seja lá o que isso quer dizer.

O resultado não podia ter sido outro: a “laranja mecânica” de 1974 surpreendeu a todos com o seu estilo de jogo em que os jogadores não tinham posições fixas – giravam como em um carrossel -, mas na hora do vamos ver… Holanda vice após perder a final para a sempre fria Alemanha.

Alemanha, aliás, que é a terra natal de um cara muito mais esperto: Sepp Herberger. “A bola é redonda, o jogo tem uma duração de 90 minutos, tudo o mais é pura teoria”, era uma de suas frases célebres. Todas as horas que Michels gastou rabiscando flechinhas na prancheta Herberger empenhou em um curso universitário de técnico. Numa época quase amadora do futebol, foi o suficiente para assumir o comando do Tennis Berlin, time que defendeu como jogador, assim que pendurou as chuteiras, em 1930.

Daí pra frente foi só farra: mesmo sem ganhar nada pelo clube, assumiu o posto de assistente técnico da seleção nacional dois anos depois e, em 1936, foi efetivado como técnico, talvez por falta de opções. Ou seja, praticamente um Parreira que come chucrutes.

Só que mais ligeiro. Quarenta anos antes do pé de uva levar sorte no pênalti do Baggio, Herberger comandou a Alemanha no milagre de Berna, vencendo a ban-ban-ban da época, a Hungria de Puskas, por 3 a 2.

O técnico húngaro era Gusztav Sebes. Provavelmente outro prancheteiro bitolado…

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